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BEIJA-FLOR - 2022

Enredo: Empretecer o Pensamento é Ouvir a Voz da Beija-Flor

Compositores: J. Velloso, Júnior Fionda, Léo do Piso, Beto Nega, Júlio Assis, Manolo e Diego Rosa

A nobreza da corte é de ébano
Tem o mesmo sangue que o seu
Ergue o punho, exige igualdade
Traz de volta o que a história escondeu
Foi-se o açoite, a chibata sucumbiu
Mas você não reconhece o que o negro construiu


Foi-se o açoite, a chibata sucumbiu
E o meu povo ainda chora pelas balas de fuzil
Quem é sempre revistado é refém da acusação
O racismo mascarado pela falsa abolição
Por um novo nascimento, um levante, um compromisso


Retirando o pensamento da entrada de serviço

Versos para Cruz, Conceição no altar
Canindé Jesus, ô Clara!! (bis)
Nossa gente preta tem feitiço na palavra
Do Brasil acorrentado ao Brasil que não se cala
(Sou o Brasil que não se cala)

Meu pai Ogum ao lado de Xangô
A espada é a lei por onde a fé luziu
Sob a tradição nagô
O grêmio do gueto resistiu
Nada menos que respeito, não me venha sufocar


Quantas dores, quantas vidas nós teremos que pagar?
Cada corpo um orixá! Cada pele um atabaque
Arte negra em contra-ataque
Canta Beija-Flor! Meu lugar de fala
Chega de aceitar o argumento
Sem senhor e nem senzala, vive um povo soberano


De sangue azul nilopolitano

Mocambo de crioulo: sou eu! Sou eu!
Tenho a raça que a mordaça não calou (bis)
Ergui o meu castelo dos pilares de Cabana
Dinastia Beija-Flor!