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Maurício Mattos - O Marquês da Sapucaí

Ao nosso fundador e presidente de honra perpétuo, nossa homenagem em forma de resumo de sua trajetória.


Em 2004, o repórter Carlos Eduardo Oliveira assinou uma matéria para a revista FLASH cujo título estampava “MAURÍCIO MATTOS, O MARQUÊS DA SAPUCAÍ”. A analogia com o personagem que dá nome à Avenida - comoveu o empresário e poderia não passar de um exagero – mas certamente poderá ser melhor compreendida, como acertada alusão, a partir dos parágrafos a seguir. A trajetória de um pioneiro no empreendedorismo da indústria criativa do carnaval, inventor dos camarotes para assistir aos desfiles das Escolas de Samba, da Revista Rio Samba e Carnaval, de levar a Portela a ensaiar na Zona Sul nos anos 60 e de tantos outros projetos que se entrelaçam com a história do carnaval carioca. 

Maurício de Araújo Mattos, natural do Rio de Janeiro, nasceu em 9 de maio de 1943, no bairro do Engenho de Dentro, onde ainda menino aprendeu a gostar do carnaval. Saía de tamancos nos blocos do bairro, embora a família, portuguesa, não fosse muito carnavalesca. Foi seu pai que lhe apresentou as Grandes Sociedades e aos Ranchos, levando-o para assistir aos desfiles na Avenida Rio Branco. Curiosamente, naquela época, o futuro criador dos camarotes já levava seu próprio caixote para ter uma melhor visão das apresentações.

As escolas de samba lhe foram apresentadas por um vizinho de bairro e parceiro de futebol, outra de suas paixões. O amigo que desfilava na Portela e conseguiu vaga para Maurício em sua ala, a "Amigos da Águia", em 1966. Foi amor à primeira vista, logo tratou de se envolver com a gestão da escola, onde se tornaria dirigente, o que o permitiu iniciar uma trajetória de empreendedorismo no carnaval. Já em 1968, com autorização do Presidente de Honra, o famoso Seu Natal, fundaria sua própria ala, a Ala do Estudante, lembrada até hoje como referência de sucesso.

Em 1970, Mauricio teve sua primeira ideia inovadora: levar a Portela para ensaiar na Zona Sul, a partir desses ensaios no Mourisco ele consolidou seu papel na escola como um grande homem de comunicação, atuou assim por uma década, possibilitando muitas parcerias comerciais para a escola, orgulhava-se de contar que suas ações contribuíram para a compra do “Portelão” – atual quadra da escola.

Sempre foi um líder. Promovia eventos com as turmas da Escola Técnica, como a passeata dos calouros (em que lavavam a estátua de Tiradentes), encontros musicais, olimpíadas e o baile dos calouros no Monte Líbano. Ele conseguia apoio de artistas e empresários, levou Elis Regina para cantar de graça no auditório da escola, foi lá também que criou o Jornal do Diretório AETI da Escola Técnica.

Em 1968, trabalhava diretamente com Dr. João Havelange, vendia anúncios publicitários da Revista da então CBD - Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF. E naturalmente levou esses conhecimentos e sua veia empreendedora para o carnaval.

Em 1971 criou a primeira Revista da Portela. No ano seguinte façanha de levar a Portela na Zona Sul, Maurício foi convidado a ocupar o cargo de Vice-Presidente da Associação das Escolas de Samba do Estado da Guanabara, entidade que organizava os desfiles na época sob a gestão do presidente Amaury Jório. Durante o exercício da nova função, propôs a criação de uma revista sobre os desfiles, que foi recusada  pelos  dirigentes  da  entidade.  Com a resposta  negativa,  decidiu  lançar  o projeto sozinho. E assim em 1972 nascia o primeiro programa oficial dos Desfiles das Escolas de Samba - A revista Rio Samba e Carnaval, esse grande sucesso que completou 50 anos e no próximo carnaval editará sua quinquagésima edição.

Em 1976, Maurício Mattos realizou, o que para alguns, é seu feito mais marcante: a criação da modalidade Camarote para assistir aos Desfiles.  Nas décadas seguintes foi entendendo melhor o seu papel como um promotor de encontros e parcerias, o hoje chamado networking. Através dos encontros proporcionados em seu camarote, como também do seu bom relacionamento com o empresariado, fez história e escola. Também empreendeu em outras iniciativas, lançou as revistas: Pole Position, dedicada a Fórmula 1, a Separata São Paulo Samba e Carnaval, além de um programa do Festival de Parintins.

Em 2003 realizou o sonho de ser Presidente de uma Escola de Samba, atuou por 7 anos nessa atividade e conseguiu levar a humilde Acadêmicos da Rocinha para o grupo Especial, sendo a primeira Escola a ocupar um dos barracões da Cidade do Samba em 2005, ano de sua inauguração. E mais uma vez foi pioneiro, sua escola foi a primeira a conseguir patrocínio através da Lei Rouanet. Até hoje sua gestão é lembrada como os áureos tempos dessa agremiação.

Maurício teve o valor do seu talento e trabalho reconhecidos, recebeu as maiores condecorações do país: a Medalha Tiradentes - 1989, a Medalha Pedro Ernesto - 2001, a Ordem do Rio Branco - 1998, no Palácio da Alvorada, das mãos do então presidente, Fernando Henrique Cardoso e até um prêmio internacional.

Esta é uma pequena parte da trajetória deste homem vitorioso que em 2020, foi brilhar no céu. Até esta data não faltou a nenhum desfile. No último carnaval, desfilou em sua amada Portela, com sua inseparável carteirinha de benemérito nº 40 no bolso, motivo de muito orgulho para ele. Saiu pela primeira vez no carro da Velha Guarda, a convite do grande amigo, mestre Monarco, fato este que o encheu de alegria e emoção. 

Com certeza, lá em cima, está feliz em ver seu trabalho seguir em frente. "Deixou seu anel de bamba para a sambista mais nova não deixar o seu samba morrer" parafraseando a letra de um samba que muito o emocionava. Maurício Mattos amou como poucos o Rio, o Samba e o Carnaval.